OSMOPE, uma escola em movimento
Em 1982, no Porto, e fruto de uma ocupação pós-25 de abril, abria a Creche e Jardim de Infância da Obra Social do Ministério das Obras Públicas, a OSMOPE. A velha fábrica de tabacos “A Lealdade”, na Rua de Costa Cabral, renascia numa especial manufactura de acompanhar gente pequena na descoberta do grande mundo.
Os anos passam, e a OSMOPE transforma-se em Instituição Privada de Solidariedade Social, integrando no nome o conteúdo daquilo que faz: pontes educativas para pôr em movimento o muito de rigidez e rotina que existe nas nossas escolas.
Assim, a OSMOPE - Organização Social do Movimento das Pontes Educativas, desde a sua fundação, por Sílvia Berény, afirma-se como um espaço de educação democrática, cooperativa e participada, onde a aprendizagem se constrói em diálogo com a arte, a cidade e os outros — numa perspetiva inclusiva e intercultural. Defendemos uma ideia de escola viva, em movimento, aberta ao território que ocupa. Rejeitamos o modelo de “resort educativo” — seguro, assético e separado do mundo — que reproduz lógicas de exclusão e elitização social.
"Educar não é encher um copo, mas acender uma chama."
— Aristófanes
O Projeto Educativo da OSMOPE apoia-se numa racionalidade de projeto, em que as crianças, da creche ao 1.º ciclo, questionam, experimentam, investigam, transformam e comunicam conhecimento. As aprendizagens surgem de provocações externas, ou da sua própria curiosidade, e articulam diferentes linguagens. Esta abordagem é, acima de tudo, uma prática democrática no quotidiano: cada grupo aprende a decidir, a negociar, a respeitar o outro e a valorizar a diversidade. O conhecimento é construído coletivamente, num ambiente de escuta, autonomia e responsabilidade partilhada.
Os objetivos do nosso Projeto são:
1. Estimular o desenvolvimento integral de cada criança, considerando que cada um é, simultaneamente, autor e ator do seu próprio desenvolvimento;
2. Desenvolver a consciência emocional, cognitiva, social e moral, por forma a estabelecer relações saudáveis e equilibradas;
3. Fomentar valores de liberdade, respeito pela diversidade, inclusão, responsabilidade, integridade, participação, sentido crítico e interventivo, segundo uma perspetiva democrática e humanista;
4. Promover práticas inclusivas que valorizem a singularidade de todas as crianças e das suas famílias, assegurando uma participação ativa em todo o processo educativo;
5. Arquitetar a construção de ideias e soluções para a resolução de problemas, reconhecendo o ato de fazer como prática poética, crítica e inovadora, estimulando o pensamento divergente, a interação com os outros e a autorreflexão;
6. Provocar e desafiar as crianças de forma a suscitar uma participação intencional e ativa no seu processo educativo, proporcionando aprendizagens significativas e diferenciadas;
7. Utilizar o trabalho cooperativo como princípio dinamizador de todo o processo de aprendizagem;
8. Proporcionar condições para o exercício de uma cidadania ativa e crítica a todos os envolvidos;
9. Fomentar a aproximação ao conhecimento científico, de forma rigorosa e sistemática, desenvolvendo as competências de cada um;
10. Desenvolver a apreciação e o sentido estético, artístico e criativo, de todos os envolvidos, através do acesso a diferentes formas de cultura e de expressão;
11. Desenhar projetos transdisciplinares como forma de conhecimento, fomentando a construção de diversos pontos de vista sobre a realidade;
12. Valorizar o papel do património material e imaterial;
13. Dar voz às crianças, dignificando o seu trabalho e produções;
14. Promover a fertilização cruzada entre as várias áreas do conhecimento, proporcionando um ambiente educativo culturalmente mais rico, em diálogo com uma equipa com diferentes linguagens, perfis e competências;
15. Favorecer o ambiente de abertura da instituição à cidade, nomeadamente às ofertas culturais, promovendo hábitos regulares de fruição e vivência;
16. Intervir em espaço público, dando voz à escola, segundo estratégias participativas e de co-criação;
17. Permitir que as crianças beneficiem de agentes educativos qualificados e em constante formação, atentos aos novos paradigmas e às diversas mutações sociais;
18. Garantir o acesso a múltiplas literacias que permitam conhecer, analisar, questionar e intervir criticamente;
19. Utilizar as novas tecnologias como ferramenta de trabalho e pesquisa informada;
20. Consciencializar e responsabilizar para as questões climáticas, ambientais e sociais, com vista à construção de um futuro mais justo e sustentável;
Organização, equipa e rede
A escola organiza-se em equipas pedagógicas interdisciplinares, que trabalham de forma cooperada. A documentação pedagógica é usada como instrumento de reflexão, tornando visíveis os processos, pensamentos e produções das crianças.
São muitas as colaborações que estabelecemos com instituições culturais, artísticas, científicas e com o poder local, proporcionando a todos experiências significativas de aprendizagem e de participação social. Fazemos parte de diversas redes de trabalho, investigação e disseminação, quer a nível nacional como internacional. Destacam-se a EPA - Educação pela Arquitetura, o PNA - Plano Nacional das Artes, ou a APEI - Associação de Profissionais de Educação de Infância. Somos também parceiros de estágio e investigação de diversas universidades locais e internacionais, quer da área da educação como de arquitetura, design e sociologia, entre outras.
No âmbito do Erasmus+, participamos regularmente em projetos de intercâmbio, jobshadowing e investigação e projeto. Este trabalho internacional foi reconhecido, em 2025, com o European Innovative Teaching Award (EITA), atribuído pela Agência Erasmus+, que distinguiu a nossa abordagem inovadora na Educação.
Na OSMOPE, a documentação pedagógica e a construção de portfólios são entendidas como práticas fundamentais do projeto educativo. Documentar é tornar visível o pensamento, os processos e as relações que se constroem nos projetos desenvolvidos — tanto aqueles que acontecem no interior da escola como os que se expandem e intervêm no espaço público, em diálogo com a cidade e com diferentes comunidades. A documentação permite valorizar e dignificar o trabalho das crianças, reconhecer o envolvimento da equipa educativa e afirmar a escola como espaço de criação, investigação e participação cívica. Ao partilhar estes processos com diferentes públicos, a OSMOPE amplia o impacto do seu trabalho, contribuindo para o debate contemporâneo sobre educação, infância e cultura, e reforçando o seu papel social e político.